"Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? - pergunta Kublai Khan.
- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra - responde Marco Polo - mas pela curva do arco que as pedras formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois pergunta:
- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
Sem as pedras o arco não existe."
ÍTALO CALVINO, em " As cidades invisíveis ", 1972
A incapacidade de superar os desequilíbrios existentes na distribuição das riquezas demonstrada até agora pela institucionalidade, mesmo quando o aparelho estatal encontra-se ocupado por partidos à esquerda no espectro político, exige uma profunda reflexão sobre os caminhos percorridos neste XXI, as escolhas feitas, as contradições internas ignoradas, o abandono da formação política das bases e também dos princípios socialistas que forjaram os instrumentos de luta da classe trabalhadora ao longo dos séculos XIX e XX. Reflexão esta que será coletiva e democrática ou não terá potência alguma.
Mesmo sendo inegável a decadência do sistema capitalista, afundado em crises por ele mesmo criadas, as evidências de que cairá atirando contra nossa humanidade estão nítidas no planeta inteiro.
Não há vitórias garantidas nem soluções eleitorais definitivas. O declínio da ordem capitalista, hoje chamada neoliberal, tem acentuado, isto sim, ferozes ataques neocoloniais em todos os continentes e guerras "quentes" e "frias" espalham-se pelo mundo.
Para vencer há que planejar a vitória organizando a luta. O crescimento mundial da extrema direita explica-se pela necessidade do capital de nela amparar-se para seguir adiante, mas também pela fragilidade ideológica da esquerda contemporânea que substituiu a mobilização das massas pela disputa eleitoral tradicional, entregando os dedos para não entregar as bijuterias. Sendo conhecido por abrigar em si inúmeras tendências, o pensamento de esquerda precisa de um único ponto de unidade - o reconhecimento do conflito existente entre capital e trabalho, frente ao qual não há conciliação possível. Haverá sempre um vencedor e um derrotado, porque, numa sociedade dividida em classes, nada é bom para todes.
Esta é a luta, derrotar o capital. Nela, tergiversar não pode mais ser a opção. Educação política coletiva paralela à ação concreta no chão da rua, compromisso de cada uma e cada um de vir e trazer mais um(a), são as "condições objetivas" que não podem estar ausentes para vencer o opressor. Pode ser difícil construí-las nos tempos cor de chumbo em vivemos, quando a voz corrente afirma e reafirma por aí não ser mais possível o "fazer diferente" e que a solução para as mazelas sociais só virá, se vier, dos espaços institucionalizados.
No entanto, na contra voz da voz corrente, há quem continue tentando, carregando consigo, mesmo sem saber, a chama da Revolução. Celebradas(os) sejam!
MARIA
"SE SAÍMOS, CHEGAMOS.
SE CHEGAMOS, ENTRAMOS.
SE ENTRAMOS,TRIUNFAMOS."
FIDEL CASTRO
CUBA LIVRE
POR TODAS, TODES E TODOS