"Desconfieis do trivial
e examinai, sobretudo,
o que parece habitual.
Em tempos tão duros, nada deve parecer natural.
Ou impossível de mudar.
Para o bem ou para o mal."
BERTOLD BRECHT
Nos dias de hoje é consenso, amplamente divulgado pelas ciências da saúde, a importância dada ao movimento físico para garantir uma vida "com qualidade". Por isso, cresce o número de espaços públicos e privados que chamam à prática de atividades físicas. É bem verdade que muito mais privados do que públicos. Na imensa maioria das cidades, inclusive, ainda predomina uma arquitetura vital hostil às maiorias e ao meio ambiente.
Muito presente nos diálogos e monólogos do nosso tempo, a palavra qualificar tende a ser usada apenas em seu sentido positivo - "habilitar/melhorar" alguém ou alguma coisa para que FAÇA e SEJA no mundo.
No entanto, nesta tão neomoderna e propalada ânsia de "qualificar" a vida, bem pouco tem sido lembrada a "qualificação" da consciência, esta potência do ser, com textura ainda tão misteriosa até mesmo para especialistas. E, para muitas e muitos, como João Pedro Stédile por exemplo, " o melhor espaço de gerar vontades..." até mesmo a de "qualificar a vida", não apenas de um ou de alguns, mas de todas, todos e todes.
Por que será?
Talvez porque o atual projeto econômico e, consequentemente, político e social do capital, em sua fase mais perversa até aqui, esta que chamam neoliberalismo, assim o queira. E o exija sorrateiramente. Por ser de seu interesse o predomínio das inconsciências. Para manter sua hegemonia no palco mundial da conjuntura. Para que a instabilidade do presente perdure. Para que o futuro demore. Ou não venha.
A palavra consciência vem do latim, significando, na origem, "um saber partilhado sobre o mundo ao redor". Um saber construído pela inserção no coletivo e que tem por objetivo, acima de tudo, gerar vontades. De aprender e ensinar. De ensinar para aprender um pouco mais. De corrigir o rumo. De fazer outra vez, quantas vezes forem necessárias.
Até a vitória um dia, quem sabe.
O processo que a faz florescer é visto pelo pensamento de esquerda como o sustentáculo da luta por um outro mundo possível e necessário. É complexo e exige compromisso. Começa no chão da rua, mas para completar-se, o melhor caminho parece ser a reflexão em roda, só ela capaz de ressignificar teoria e prática à luz da conjuntura.
Formar e sentar nesta roda é a tarefa do momento para filiadas e filiados de todas as organizações de luta da classe trabalhadora. Delas poderá sair fortalecida a Consciência de Classe, Coluna Vertebral da Revolução que será feita um dia.
MARIA
"Não ter alcançado o ponto culminante é uma boa razão para continuar tentando. Por ser um compromisso marcado com a própria consciência. E porque a noite ainda não caiu.
JOSÉ SARAMAGO
A Bagagem do Viajante
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