segunda-feira, 20 de abril de 2026

O PODER QUE IMPORTA

 


"Eu vou voltar aos velhos tempos de mim, 
vestir de novo meu meu casaco marrom
e sair por aí.
A bomba H quer explodir no jardim
para matar a flor.
Mas eu direi que não..."
CASACO MARROM
( D. Caymmi e Guarabira, na voz de Evinha, 1969 )  





Buscar compreender as questões nodais ordenadoras do mundo contemporâneo é pré-condição inescapável para que se comece a desordená-lo em favor dos milhões de incluídos, até agora, somente na fila da luta pelo pão de cada dia. Não será seguindo a lógica do opressor que as organizações da esquerda política vão avançar nesta desorganização imprescindível. Porque, se não é com tirania que se combate a tirania, então não será com política tradicional burguesa que se vai combater a política tradicional burguesa. Hoje, esta é a lição  a ser aprendida ou reaprendida no interior de qualquer organização da classe trabalhadora - mexer por dentro para melhor mexer lá fora. E a reflexão coletiva constitui o primeiro passo para que tal aprendizado aconteça. Mas está em desuso. Além disso, em todos os espaços ocupados por obra da luta social, a contradição existente entre o dito e feito há que ser superada. Sob pena de ter como resultado, a cada ocupação, apenas um pouco mais do mesmo. 
Para onde tais contradições e desvios do rumo original estão levando a luta?
Como transformar fazendo igual?
Perguntas por enquanto somente sussurradas pelos cantos. Sem respostas até aqui, porque nem ao menos consentidas no campo aberto do debate. Com o velho argumento de que, "na prática, a teoria é outra", têm sido abafadas sistematicamente as vozes dissidentes que tentam um "esquerda volver". Mas será ainda possível dar meia volta?
Por um bom período do século XX prevalecia no seio das organizações da classe trabalhadora justamente seu caráter de classe, que originava projetos de mundo construídos coletivamente. Ao mergulharem na institucionalidade por circunstâncias várias, tais instrumentos de luta foram sendo desfigurados pelas necessidades impostas principalmente por alianças eleitorais espúrias. Os projetos de mundo foram sendo substituídos por programas de governo elaborados em espaços cada vez mais restritos, "menos" coletivos. 
No XXI, o mesmo rumo, que tanto prometia. A ponto de fazer parecer desnecessária, e mesmo inconveniente,  a continuidade da mobilização popular e da formação de quadros como práxis revolucionária indispensável. 
O Partido que prenunciara, lá na década de 1980, uma remodelação da política como possibilidade efetiva no cenário histórico brasileiro e latino-americano e chegou priorizando a organização de base sobre a representação eleitoral, inseriu-se nesta realidade gradualmente. Hoje tem como objetivo ímpar o processo eleitoral. Por ele sacrifica tudo. Como se fosse resolver. Mas não resolve. Como todas, todos e todes podem ver. Se estiverem olhando.
De tudo o mais grave, no entanto, é o que se está ensinando à juventude. Não só por induzi-la a seguir um caminho  escolhido  sem participação coletiva, mas por fazê-la acreditar ser ele o único possível.
Militantes do saber necessário e da crítica consistente, da reflexão em roda e da investigação conjuntural é o que devem ser os andarilhos da utopia espalhados por aí. Para mostrar a quem chega a importância de se perguntar "Por quê?", lembrando-os também que a contestação da ordem vigente é a condição primordial para qualquer transformação  da realidade. E  o poder que realmente importa  é o poder dos que não têm poder algum, mas se juntam para construí-lo. É dele que poderá vir , um dia, a REVOLUÇÃO SOCIAL. 


                                                                                                     MARIA

                              

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