" A História me ensinou que nem tudo está bem sob o sol.
Mas o Sol ensinou-me que a história não é tudo."
Albert Camus, um inquieto do séc. XX
Às vezes a gente pensa que não, mas sim, continuamos no olho do furacão, um furacão causado por mãos humanas, tal qual "a rosa de hiroshima". Que quer nos eliminar da arena política enquanto coletivos de organização dos "de baixo", sufocando nossas vozes até que se tornem inaudíveis. Ele é o fruto envenenado de todo o feito, mas do não feito também. E não se enganem as/os que chegam agora. Não começou com a campanha eleitoral em curso, nem no 8 de janeiro, nem na eleição de 2018, nem com a prisão do Lula, nem com o golpe contra Dilma, nem em 2013,nem com "a carta aos brasileiros", nem com a eleição do Collor. Nem mesmo com o regime militar imposto por 21 anos a partir do golpe de 64, nem com a independência "fraquinha" de 1822, que nos tornou "império" em meio às repúblicas que se multiplicavam em terras latino-americanas, naquele XIX. Veio de antes, veio de 1500, quando aqui começou o extermínio dos povos originalmente donos destas terras pelos invasores brancos europeus.
De lá para cá tem sido luta. Nunca foi fácil. Muitas foram as batalhas perdidas, mas muitos também os avanços, graças a uma brava gente que caiu e levantou pelo tempo a dentro. Delas e deles somos herdeiros e, independente dos laços ou correntes que nos prendam hoje, temos o dever de preservar a herança recebida.
Nessas lutas, sempre presente tem estado a polarização. Se são opostos os interesses, como não? Se alguém souber, por favor, que fale aqui. Mesmo inescapável assim, muito tem sido criticada, negada, fantasiada. Combatida como indesejada, com o endeusamento do centro e dos bons modos.
Entre saltos adiante e muita marcha à ré, chegamos ao 2026.
Não há como contestar a dimensão gigante do desafio que temos pela frente, embora muitas e muitos nem sequer percebam, cegos pela luz das telas como mariposas tontas. Mas não há como reconhecer, igualmente, nesse desafio algum ineditismo de peso. Mudou a tecnologia que lhe serve de instrumento, aperfeiçoada magistralmente para atingir as mentes além dos corpos, mas os objetivos continuam os mesmos - a concentração da riqueza nas mãos de muito poucos e a alienação/resignação das maiorias exploradas. E são muito antigos tais objetivos.
É levando consigo esta trajetória histórica que cada lutadora e cada lutador social deve sair ao sol se ele estiver visível ou enfrentar a chuva, que inevitavelmente virá até outubro. Todos os dias. Para falar de Lula, de Manuela e Pimenta, de Juliana e Edegar. Sem esquecer das Proporcinais, todas merecedoras de imenso respeito. Para impedir que a extrema direita consiga asfixiar de vez a luta, tirando-lhe até "o ar de respirar".
Em meio à guerra híbrida mundial da atualidade, o Brasil é peça cobiçada pelo capital internacional e pelo "império do mal" que melhor o representa. E mais grave ainda, com volumosa presença de vendilhões internos, enfrenta uma conjuntura grave de tensão político/institucional. As portas estão todas abertas e os resultados eleitorais muito incertos.
Se a luta do momento é para continuar respirando e o contexto é tenso, é preciso que esta verdade seja dita repetidas vezes a cada filiada(o) dos partidos de esquerda, a cada associada(o) dos sindicatos de trabalhadoras(es), a cada militante de um movimento social. Para que , até o dia da eleição , ocupem diariamente (no horário que puderem) as paradas de ônibus, as portas das escolas, as portas das empresas e o cais dos portos. Vestidos de vermelho, com bandeira nas costas e panfletos nas mãos. Sem esperar convite ou convocação, indo não porque podem, mas porque devem. E sabem disso.
Porque têm consciência do que está em jogo.
MARIA
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