domingo, 13 de setembro de 2026

S E T E M B R O , 13

     


" Arranca vida, 
estufa a veia.
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa mais."
          CHICO BUARQUE



Um quintal
Um sol batendo
Um terracinho
Uma cadeira roxa
A cantoria dos passarinhos
conversando com o vento
No fundo, a voz do mar
O mundo parecendo longe
O tempo rugindo urgências
Uma voz de dentro
gritando "vai pra rua!" 
Faltam 20 dias para o dia L
         
                                      MARIA

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O SENADO DA REPÚBLICA

 
"Ter duas pernas às vezes me parece pouco"
EDUARDO GALEANO
( em "Vagamundo" )


Na eleição de 2026 são 54 as vagas em disputa para a recomposição da chamada Câmara Alta do Congresso Nacional - o Senado da República.
Além de suas múltiplas ATRIBUIÇÕES LEGISLATIVAS E FISCALIZADORAS, o ART. 52 da Constituição Federal dá a esta Casa ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS de:
-Processar, julgar e chegar ao impedimento do Presidente da República, de Ministros de Estado, de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Procurador Geral da República, do Advogado Geral da União e de membros do Conselho Nacional de Justiça.
-Aprovar ou reprovar indicações da Presidência da República para o Supremo Tribunal Federal, Tribunal de Contas da União, Direção do Banco Central, Procuradoria Geral da União, Embaixadores e Dirigentes de Agências Reguladoras.
Dentro de suas ATRIBUIÇÔES LEGISLATIVAS, encontra-se a de dar a última palavra sobre Projetos de Lei aprovados pela Câmara dos Deputados.
Poderosa a Casa. E, historicamente, mais inimiga do que amiga do povo. Que o digam,  por exemplo, o golpe contra Dilma em 2016 e a protelação criminosa com o Projeto de Lei que acaba com a escala de trabalho 6/1 já aprovado na Câmara do Deputados agora em 2026.
Fundamental seria, por isso, aproveitar a oportunidade eleitoral do momento e colocar a disputa por espaço dentro dela como prioridade  para os partidos da esquerda política. Embora nos discursos esteja posta tal necessidade, parece que, na prática, não é o que está acontecendo. Uma matéria sobre o tema, publicada ontem, 10 de setembro, na Revista Carta Capital , baseada nas pesquisas eleitorais realizadas até aqui, mostra que, se a eleição fosse hoje, teríamos um Senado pior do que o atual. No RS, teríamos Marcel Van Hattem ( Partido Novo, extrema direita ) como o candidato mais votado. E, no Brasil,  só o PL, estaria elegendo 11 enquanto o PT estaria elegendo apenas 8. Lá dentro, esperam os eleitos 9 senadores do PL e 3 senadores do PT. Ficaríamos assim no total em 2027, 20 senadores do PL e 11 do PT.
MAS A ELEIÇÃO NÃO É HOJE. AINDA ESTÃO ROLANDO OS DADOS.
 Intensificar a campanha  ao Senado, que será decisivo para a resistência democrática e para LULA IV, sem deixar de lado as candidaturas proporcionais, é o desafio a ser enfrentado.
Que não haja ilusões. O golpe continua golpeando. E a luta hoje é onde estiver cada uma e cada um que sabe disso.
                                                                                           MARIA

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A LUTA É PELO AR

 


" A História me ensinou que nem tudo está bem sob o sol. 
  Mas o Sol ensinou-me que a história não é tudo."
  Albert Camus, um inquieto do séc. XX



Às vezes a gente pensa que não, mas sim, continuamos no olho do furacão, um furacão  causado  por mãos humanas, tal qual "a rosa de hiroshima". Que quer nos eliminar da arena política enquanto coletivos  de  organização  dos  "de baixo", sufocando nossas vozes até que se tornem inaudíveis. Ele é o fruto envenenado de todo o feito, mas do não feito também. E não se enganem as/os que chegam agora. Não começou com a campanha eleitoral em curso, nem  no 8 de janeiro, nem na eleição de 2018, nem com a prisão do Lula, nem com o golpe contra Dilma, nem em 2013,nem com "a carta aos brasileiros", nem com a eleição do Collor. Nem mesmo com o regime militar imposto por 21 anos  a partir do golpe de 64, nem com a independência "fraquinha" de 1822, que nos tornou "império" em meio às repúblicas que se multiplicavam em terras latino-americanas, naquele XIX. Veio de antes, veio  de 1500, quando aqui começou o extermínio dos povos originalmente donos destas terras pelos invasores brancos europeus. 
De lá para cá tem sido luta. Nunca foi fácil. Muitas foram as batalhas perdidas, mas muitos também os avanços, graças a uma brava gente  que caiu e levantou pelo tempo a dentro. Delas e deles somos herdeiros e, independente dos laços  ou correntes que nos prendam hoje, temos o dever de preservar a  herança recebida. 
Nessas lutas, sempre presente tem estado a polarização. Se são opostos os interesses, como não? Se alguém souber, por favor, que fale aqui. Mesmo  inescapável assim, muito tem sido criticada, negada, fantasiada. Combatida como indesejada, com o endeusamento do centro e dos bons modos.
Entre saltos adiante e muita marcha à ré, chegamos ao 2026. 
Não há como contestar a dimensão gigante do desafio que temos pela frente, embora muitas e muitos nem sequer percebam, cegos pela luz das telas como mariposas tontas. Mas não há como reconhecer, igualmente, nesse desafio algum ineditismo de peso. Mudou a tecnologia que lhe serve de instrumento, aperfeiçoada magistralmente para atingir as mentes além dos corpos, mas os objetivos continuam os mesmos - a concentração da riqueza nas mãos de muito poucos e a alienação/resignação das maiorias exploradas. E são muito antigos tais objetivos.
É levando consigo esta trajetória histórica  que cada lutadora e cada lutador social deve sair ao sol se ele estiver visível ou enfrentar a chuva, que inevitavelmente virá até outubro. Todos os dias. Para falar de Lula, de Manuela e Pimenta, de Juliana e Edegar. Sem esquecer das Proporcinais, todas merecedoras de  imenso respeito. Para impedir que a extrema direita consiga asfixiar de vez a luta, tirando-lhe até "o ar  de respirar".
Em meio à guerra híbrida mundial da atualidade, o Brasil é peça cobiçada pelo capital internacional e pelo "império do mal" que melhor o representa. E mais grave ainda, com volumosa presença de vendilhões internos, enfrenta uma conjuntura grave de tensão político/institucional. As portas estão todas abertas e os resultados eleitorais  muito incertos.
Se a luta do momento é para continuar respirando e o contexto é tenso, é preciso que esta verdade seja dita  repetidas vezes a cada filiada(o) dos partidos de esquerda, a cada associada(o)  dos sindicatos de trabalhadoras(es), a cada militante de um movimento social. Para que , até o dia da eleição , ocupem diariamente (no horário  que puderem) as paradas de ônibus, as portas das escolas, as portas das empresas e o cais dos portos. Vestidos de vermelho, com bandeira nas costas e panfletos nas mãos. Sem esperar convite ou convocação, indo não porque podem, mas porque devem. E sabem disso.
Porque têm consciência do que está em jogo.


                                                                                 MARIA